Judô Auto da Lapa

Horários dos Treinos

Segundas-feiras:
7:30h, 9:30h, 18:00h e 19:30h
Terças-feiras:
16:30h e 18:00h
Quartas-feiras:
7:30h, 9:30h, 18:00h e 19:30h
Quintas-feiras:
16:30h, 18:00h e 19:30h
Sextas-feiras:
7:30h, 9:30h, 18:00h e 19:30h

José Fernandez Diaz “Pepe” (faixa preta 3ºdan)

A História de uma Associação de Judô

por Wagner Hilário

A história da Associação de Judô Alto da Lapa é feita por muitas pessoas, mas, sobretudo, é feita por José Fernandez Diaz, o Pepe. Imigrante espanhol da cidade de Leon, que chegou ao Brasil com a família quando tinha apenas cinco anos, em 1953, Pepe descobriu o judô em 1969. “Eu e minha mulher, que acabara de concluir o magistério, abrimos uma escolhinha, o Externato Mickey. Queríamos incluir na grade curricular como disciplina um esporte olímpico e, depois de um breve período de pesquisa, optamos pelo judô.”

Sua paixão pelos esportes, contudo, começou antes. Já aos quatorze anos, quando conseguia um tempo livre entre os estudos em colégio público e o trabalho de pedreiro que realizava ao lado do pai, Pepe corria distâncias que paulatinamente foram aumentando até que se tornasse maratonista. Não apenas os quilômetros percorridos nas ruas da cidade cresciam. O adolescente Pepe se tornaria adulto, com o pai montaria uma construtora (fruto de sacrificadas economias), casaria com Maria Carmelita Fernandez e mudaria da zona norte da capital paulista, no Tremembé, para a zona oeste, mais precisamente para o Alto da Lapa, onde passaria a morar com a esposa.

Na Rua Alfaia, número 608, nasceria o Externato Mickey e com ele as aulas de judô. “Eu e minha esposa fomos até a academia Lapa Judô Clube, para entender melhor como funcionava o esporte. As referências não podiam ser as melhores, em razão do caráter educativo que existe no judô. Conversamos com o sensei responsável Fuyu Oide e mais do que boas referências, ganhamos um professor. O filho dele, Akira Oide, acabara de se tornar faixa preta e seria o sensei das crianças da escola.”
Pepe, aos vinte e um anos, não perdia uma aula das crianças. A assiduidade como expectador, levou Akira a convidá-lo a participar, pisar no tatame, exercitar-se com as crianças e ensaiar alguns golpes, enfim, a vivenciar a arte marcial na pele. Pepe foi ficando, comprou um quimono e então Akira o advertiu. “É melhor você ir fazer aula com o meu pai. Não fica bem você treinar com crianças.”

Ele foi, mas depois de dezesseis anos voltou com o próprio Fuyu Oide e as aulas de judô transcenderam a grade curricular do Externato Mickey. Logo, as turmas se multiplicaram, os alunos que treinavam com o sensei Oide no antigo dojo passaram a treinar no que seria a Associação de Judô Alto da Lapa, e assim além das aulas da manhã e da tarde, sobretudo para as crianças da escola, uma turma de adolescentes se formou nos fins de tarde das segundas, quartas e sextas-feiras, e outra de adultos, à noite e nos mesmos dias. A academia ainda não tinha registro na Federação Paulista de Judô (FPJ) e usava o nome registrado pelo sensei Fuyu Oide: Lapa Judô Clube.

Atleta Poliesportivo

Equivocam-se os que pensam que por ter iniciado o judô e mergulhado de cabeça na arte marcial Pepe desistiu de praticar outras atividades. “Continuei correndo. Corria até nos dias em que treinava judô. Corria trinta e seis quilômetros por dia, de segunda a sábado.” Se não bastasse, em 1988, Pepe começou a fazer jiu-jitsu com o renomado professor Roberto Lage e não demorou a dar aula, até porque a base do jiu-jitsu, que significa arte suave, é a mesma da luta de solo do judô, que por sua vez quer dizer caminho suave. Com a facilidade de Pepe em absorver as técnicas, a academia do Externato Mickey também passou a ter aulas de jiu-jitsu, ainda em 1988, ministradas por ele próprio.

Apesar de ter iniciado no judô com mais de vinte anos, Pepe sempre foi altamente competitivo. Mesmo tendo de equilibrar-se entre os afazeres da construtora, da escola e de pai de família (em 1988 ele já tivera os dois filhos, Gabriela Fernandez e Marcelo Fernandez), Pepe participou com sucesso de competições no judô e no jiu-jitsu. Foi vice-campeão paulista máster de judô. “Perdi para o sensei Umakakeba, o que só enaltece o meu vice-campeonato. Afinal, ele é quase uma lenda.” Para se ter ideia, Umakakeba foi bicampeão brasileiro sênior e formou atletas notáveis no universo da competição do judô, como Tiago Camilo, campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico. No jiu-jitsu, cuja faixa preta pegou em 1999, Pepe conquistou Campeonato Paulista de Supersênior (máster).

Se a vida esportiva de Pepe era intensa e diversificada, o que por consequência também fazia da sua academia intensa e diversificada, faltava algo, que nem mesmo ele sabia faltar. Só descobriria isso muitos anos depois, em 1994, para ser preciso. Antes disso, com pesar, como quase sempre são os finais de grandes ciclos, ele viu a parceria com os Oide acabar. Sensei Fuyu já se encontrava em idade avançada e Akira optara por novos desafios. Com o fim da parceria, não lhe restava alternativa… “Nesse ínterim, eu já havia alcançado a faixa preta. Quando Fuyu e Akira saíram, passei a ministrar as aulas, sozinho. A rotina era puxada demais. Afinal, precisava tocar minhas outras atividades.”

Durante algum tempo, Edson Kudo, que além de judoca era um excelente lutador de luta greco-romana, dividiu as aulas da academia com Pepe. Por meio de Kudo, conheceu as academias do sensei Chiaki Ishii, simplesmente o primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, o próprio sensei Ishii e os grandes judocas que com ele treinavam e aprendiam. O mesmo Kudo era aluno de Ishii. Foi nessa oportunidade que também conheceu o braço direito do consagrado sensei, o talentoso e altamente técnico Rioiti Uchida. Quando Edson precisou deixar as aulas no externato, Pepe foi atrás de Uchida. “Ele não quis vir naquele momento, até porque era peça-chave para o sensei Ishii.”

Porém, num momento de dificuldade, Ishii se viu obrigado a fechar duas de suas três academias. Uchida, que dava aula em uma delas, se quisesse continuar a viver do judô, tinha de procurar uma nova “casa”. “Um belo dia, ele apareceu no externato, que na época já havia mudado de endereço, saído da Rua Alfaia para a Rua Bergamota, número 101. Ele me disse: ‘Aquela proposta está de pé?’. ‘Claro’, respondi, alegre com aquela aparição.” Talvez Pepe atribuísse a razão da alegria apenas ao fato de ter encontrado um professor para a academia e não divisasse nada além. Entretanto, não demoraria a compreender que Uchida era mais do que um bom professor de judô. “Hoje, posso dizer que tudo o que eu sabia sobre judô era quase nada perto do que aprenderia com Uchida a partir daquele momento.”

O Nascimento

Para se ter ideia da importância de Uchida, Pepe diz que de 1969 até novembro de 1994, quando da chegada do sensei, a Associação de Judô Alto da Lapa esteve em fase de gestação. Com a chegada do novo sensei, a academia nasceu oficialmente para o universo da arte marcial, ganhando registro na FPJ em primeiro de fevereiro de 1995 e, sobretudo, ganhando uma identidade que a faria famosa não apenas no Brasil, mas em no mundo todo, como uma academia que zela pelos valores morais e éticos ferrenhamente defendidos pelo fundador do budo (termos cuja tradução literal é caminho marcial, mas que podemos entender também como arte marcial) Jigoro Kano.

“Com a chegada dele, comecei a evoluir no judô. Comecei a fazer inúmeros cursos, como de kata, arbitragem, gokyo (conjunto de golpes do judô), filosofia do judô e defesa pessoal. Consegui o segundo dan e mais tarde o terceiro. Hoje, além do terceiro dan, sou árbitro da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Poucos são.” Poucos são também os que criaram uma entidade que se orgulha de ter inúmeros campeões brasileiros, campeões pan-americanos, sul-americanos e mundiais de judô. Poucos são os que presidem uma associação conhecida na própria Kodokan, “casa” onde o judô nasceu para logo em seguida, a custas de um grande esforço do mestre Jigoro Kano, ganhar o mundo.

“Acredito que a maior contribuição que demos e damos ao judô, sobretudo graças ao sensei Uchida, é ensiná-lo o mais próxima da maneira como foi concebido por Jigoro Kano.” De fato, a arte marcial ao ganhar o mundo nem sempre consegue preservar integralmente os valores morais e os princípios éticos sobre os quais foi erigido. Pepe, seguindo a escola de Uchida, que responde pelas aulas atualmente ministradas durantes as segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, procura passá-los fielmente a seus alunos. “Desde que comecei a dar aula, não parei mais. Hoje, dou aula todos os dias da semana para crianças de três a sete anos, e quanto mais o tempo passa, mais percebo o valor educativo do judô.”

Novo Olhar

Pepe completa neste ano sessenta e uma primaveras, e se já não corre longa distâncias como antes, se não treina nem leciona mais jiu-jitsu (o jiu-jitsu da Associação Alto da Lapa deixou de existir em 2006), com o judô ele não pretende parar. “A capacidade de enxergar as pessoas sob um ponto de vista mais humano foi o maior presente que ganhei do judô. Isso porque antes de qualquer coisa me tornei mais compreensivo comigo mesmo. O judô nos leva a superar limites, superar os medos. Só podemos fazer isso quando enxergamos e entendemos nossos limites e medos, e quando os enxergamos e entendemos nos tornamos mais sensíveis para enxergar e entender o medo do outro. Só com essa sensibilidade desenvolvida podemos ajudar as pessoas e ensinar o judô.”

Evidente que, por se tratar de uma arte marcial, o rigor, o cultivo à retidão de hábitos, o empenho absoluto, o respeito aos companheiros e à hierarquia (que se baseia no tempo de prática e no conhecimento cuja evolução está estreitamente relacionada à vivência no tatame) são atributos indispensáveis, e Pepe, antes mesmo de enveredar por esse caminho já dispunha de uma porção dessas características. “O certo é que com essa visão mais humana, eu me tornei um sujeito mais equilibrado.” E, a título de conhecimento, o equilíbrio, ou o “caminho do meio”, atributo tão valorizado pelos orientais, pode ser considerado também a finalidade do judô.

Pepe conta (para ilustrar essa visão mais humana a que se refere) a história de alguns garotos do Colégio Mário de Oliveira, uma instituição pública de ensino médio que em fins da década de 1990 apresentava um problema: adolescentes que estudavam no colégio andavam em más companhias e preocupavam os pais e os educadores. Gabriela, a filha de Pepe, que estudava na instituição, sabendo do problema sugeriu à diretora do educandário que o pai desse uma palestra aos jovens, explicando-lhes a importância do esporte, desde que relacionado a hábitos complementares saudáveis.

“Fomos eu e o sensei Uchida. Eu esperava maior resistência dos garotos, mas fui positivamente surpreendido. Eles se interessaram pelo assunto e ao fim da palestra dissemos que tínhamos dez vagas gratuitas, entre as turmas de judô e jiu-jitsu, para os interessados. Dezoito estudantes, entre garotos e garotas, nos procuraram, todos para turma de jiu-jitsu, que na época era uma febre. Admitimos todos. Apenas um não deu continuidade aos treinos. Os demais se envolveram com o jiu-jitsu e logo criaram um novo vínculo de amizade que substitui o anterior.” De acordo com Pepe, a disposição em participar de um projeto social simples e extremamente recompensador como esse não acabou. “Quero muito fazer algo para ajudar as pessoas e acho que o judô é uma ferramenta incrível para isso.”


Crianças de 3 a 5 anos.
Crianças acima de 5 anos.
Jovens e adultos.
Treino técnico de Kata.

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Academia Filiada

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